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Publicado 18/06/2010 13:03
No dia 11 de junho, a bola rolou em Johannesburgo, dando início a mais uma Copa do Mundo. De modo geral, o clima de junho é favorável ao varejo. Entretanto, nem todos os comerciantes saem ganhando quando a equipe brasileira estiver em campo. "Os dias de jogos da seleção brasileira são como feriados, principalmente em uma cidade grande como São Paulo, onde o expediente acaba mais cedo, ou começa mais tarde por causa do trânsito", disse Marcos Morita, especialista em estratégias empresariais e professor da Universidade Mackenzie. "Nem todas as empresas ganham, algumas ficam até no prejuízo. Feitas as contas, são dias perdidos na produção e na venda."
Antes e durante a Copa, faturam bem as lojas que vendem televisores, além daquelas voltadas à alimentação fora de casa e supermercados – estes, especialmente, nos dias de jogos. Mas lojas de cosméticos e papelarias são esquecidas durante os 90 minutos das exibições da seleção de futebol de Dunga. "O varejo aproveita bem o clima de Copa do Mundo, mas no dia dos jogos a venda de bens duráveis é fraca", afirmou Nuno Fouto, pesquisador do Programa de Administração de varejo (Provar), da Fundação Instituto de Administração (FIA). O setor de vestuário, geralmente esquecido com a Copa, pode se beneficiar por conta do frio e mostrar boa recuperação em relação a 2009.
O economista Emilio Alfieri, do Instituto de Economia Gastão Vidigal da Associação Comercial de São Paulo (IEGV/ACSP), reconhece que os jogos "atrapalham um pouco". "Mas não estamos diante de uma crise econômica: os salários estão mantidos, o consumidor está animado. Portanto, a venda do dia dos jogos será antecipada ou adiada, e não perdida."
Planejamento – Não se pode esperar por esses "feriados" de braços cruzados. Segundo Morita, as empresas devem se planejar com antecedência e criatividade. O Shopping Frei Caneca, por exemplo, irá exibir os jogos em um telão na praça de alimentação. "Os jogos fazem parte da vida do nosso consumidor", disse Simone Castelli, gerente de marketing do empreendimento. "Mas vamos passar somente os jogos do Brasil e a final." O objetivo é atender aos consumidores que trabalham no entorno do centro de compras.
No entanto as perspectivas não são boas para quem não se programou. "Para essas empresas, as condições do mercado podem ser bastante desfavoráveis nas próximas semanas: estoques altos, contas a pagar, pedidos a receber e nenhum consumidor por perto", disse Morita. Embora esteja na torcida para que a seleção brasileira conquiste o campeonato, ele lembra que, se o Brasil passar para a próxima fase, haverá mais "feriados". "As empresas devem estar preparadas para isso", afirmou.
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Fonte: FCDL - RS