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Publicado 11/03/2010 09:25
Estudo do governo federal aponta que Rio Grande do Sul poderá ter 122,6 mil novos postos este ano
O Rio Grande do Sul deve ter este ano a geração de 122,6 mil novos empregos, estima o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Se confirmado, será quase o dobro do ano passado, quando o Estado teve saldo positivo de 64 mil vagas.
O estudo divulgado ontem indica que, devido ao impulso do crescimento econômico calculado em 5,5%, o Brasil terá geração líquida de dois milhões de novos postos de trabalho. O Rio Grande do Sul será o quarto entre as unidades da federação onde irá crescer mais a demanda por mão de obra, puxado principalmente pela atividade de comércio e reparação, com saldo de 54,5 mil novas vagas. Em segundo lugar, aparece a indústria, com a perspectiva de 24,8 mil empregos.
O economista Pedro Ramos, do Sistema Fecomércio-RS, avalia que renda em alta, taxas de juros baixas e confiança do consumidor dão sustentação à expectativa positiva quanto ao emprego, e a mobilidade social se traduz em uma maior demanda por serviços.
– A confiança que o consumidor tem em 2010 é muito alta. Nunca vi um primeiro trimestre tão acelerado como este. E, no interior do Estado, a boa safra de grãos também exerce esse papel de dar confiança – diz Ramos.
Gilberto Petry, presidente do Sindicato das Indústrias Metalmecânicas do Estado, diz que o ritmo de contratações até agora ficou aquém do esperado, mas tem expectativa de reação.
– Esperamos que melhore assim que a safra começar a ser colhida – afirma Petry, referindo-se ao efeito irradiador da agricultura na indústria.
Conforme o Ipea, por força da rotatividade normal no mercado de trabalho, serão abertos outros 16,6 milhões de postos no Brasil, sendo 1,14 milhão no Rio Grande do Sul.
Os setores mais promissores
Comércio e reparação
- Com o crescimento da renda e a política habitacional, devem apresentar crescimento os setores varejista de roupas e calçados, de material de construção e supermercados. Com a grande venda de veículos, no subsetor de reparação de automóveis também é esperado ritmo forte de contratações.
Indústria
- A força do mercado interno e sobretaxa ao calçado chinês devem impulsionar criação de vagas na indústria calçadista. O setor metalmecânico ligado ao transporte também tende à recuperação dos empregos.
Alojamento e alimentação
- Afetado pelo crescimento da renda, o cenário é positivo para o setor de hotelaria e turismo assim como restaurantes e serviços de lanches.
Construção
- Alavancada pelo programa Minha Casa, Minha Vida, a construção civil ligada à habitação tende a necessitar de grande volume de mão de obra.
Demandas distintas para trabalhador qualificado
- Onde deve haver excedente no país
Indústria 145 mil
Agricultura 122 mil
- Onde deve haver escassez no país
Comércio 187 mil
Educação, saúde e serviços sociais 50 mil
Alojamento e alimentação 45,2 mil
Construção civil 38,4 mil
Falta de qualificação é um gargalo
Apesar da oferta de oportunidades, poderá haver vagas em aberto. Crismeri Delfino Correa, vice-presidente de Gestão e Inovação da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Estado, confirma que no Rio Grande do Sul existem vagas com dificuldades para serem preenchidas por falta de candidatos que se enquadrem nas necessidades das empresas.
– Na indústria, valoriza-se muito o curso técnico e, no comércio, procuram-se pessoas que tenham conhecimentos de produto e ao mesmo tempo qualidades pessoais para um bom atendimento – explica Crismeri.
Para o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, a escassez de mão de obra é um “problema bom”:
– Isso não acontece desde o milagre econômico dos anos 1970.
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Fonte: Zero Hora
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