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Publicado 09/10/2009 13:12
As famílias brasileiras estão mudando, e em 34,9% são as mulheres que estão à frente da casa. A estimativa faz parte da Síntese de Indicadores Sociais de 2008, divulgada nesta sexta-feira (9) pelo IBGE. Em 1998, apenas em 25,9% das famílias as mulheres se declaravam a pessoa de referência do domicílio, um aumento de nove pontos percentuais em dez anos.
O crescimento do número de mulheres chefes de família também aconteceu nas casas em que o marido estava presente, passando de 2,4%, em 1998, para 9,1%, em 2008. Entre as que moram sozinhas, a mesma tendência foi verificada, em 5,9% elas são provedoras do lar. Na comparação entre homens e mulheres residindo sozinhos, em 50,9% das famílias são elas as pessoas de referência. No Sudeste, região que apresenta o maior número de pessoas morando sozinhas, o percentual feminino chega a 55,1%. Já no Norte, Nordeste e no Centro-Oeste, a maioria das famílias é chefiada por um homem, com 67,4%, 53,3% e 55,3%, respectivamente.
O levantamento, com base nos dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), mostrou ainda que morar sozinho é uma opção cada vez mais frequente nas cidades brasileiras. Entre 1998 e 2008, a proporção deste grupo passou de 8,4% para 11,6%. O percentual é ainda mais alto nas regiões metropolitanas de Porto Alegre (16%) e do Rio de Janeiro (14,9%).
Entre os que escolhem não dividir um domicílio, a maioria tem 60 anos ou mais (40,8%) e recebe mais de dois salários mínimos por mês (34,6%). Somente nas regiões Norte e Nordeste é que a maior parte dos que moram sozinhas são pessoas que têm rendimento mensal de até um salário mínimo, com 34,3% e 49,5%, respectivamente.
A desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho vem diminuindo, mas ainda são eles os que ocupam lugar de mais destaque. A taxa de ocupação de mulheres de 10 anos ou mais aumentou em todos os grupos etários, passando de 42%, em 1998, para 47,2%, em 2008. Entre os homens, porém, o percentual passou de 68,3%, em 1998, para 68,6%, em 2008. O que mostra uma diferença de inserção no mercado superior a 21 pontos percentuais entre os dois sexos em 2008.
Ao considerar a escolaridade, porém, o grupo feminino é maioria, já que apresenta uma média mais alta de estudo - 9,2 anos, contra 8,2 anos do grupo masculino. Para cada 100 pessoas com 12 anos ou mais de estudo ocupadas, 56,7 são mulheres e 43,3 são homens. No entanto, o grau de instrução não se traduz na ocupação de cargos de chefia pelas mulheres. Enquanto 5,9% dos homens com mais de 15 anos estiveram como dirigentes, apenas 4,4% das mulheres conseguiram postos mais altos. O maior percentual de mulheres nesta categoria está no Sudeste (5,1%) e o menor no Nordeste (3,1%).
Ainda de acordo com a pesquisa, mulheres mais velhas têm menos chances de se casar novamente do que os homens. Em 2007, entre as pessoas com 65 anos ou mais, 3,2% dos homens voltam a oficializar uma união, já entre as mulheres apenas 0,7% o conseguem. Somente nos grupos etários de 15 a 19 anos e de 20 a 24 anos, mulheres têm um percentual mais alto de casamento, com 17,1% e 30,6%. Os homens apresentam a maior taxa de nupcialidade legal entre 25 e 29 anos (31,9%).
A população também está ficando mais velha, de acordo com o levantamento. A esperança média de vida ao nascer passou de 69,7 anos, em 1998, para 72,7 anos, em 2008. A projeção mais recente é mais favorável para as mulheres, com 76,8 anos, do que para os homens, com 69,3 anos. Os desníveis entres as regiões persistem, embora tenham diminuído. A diferença entre o Distrito Federal, o maior número com 75,6 anos, e Alagoas, o menor com 67,2 anos, ficou em 8,4 anos, em 2008, enquanto, em 1998, era de 9,7 anos. Em relação à América Latina, o Brasil situa-se em um grupo intermediário, tendo como o topo da lista a Costa Rica, com 78,8 anos, e o menor valor o Haiti, com 61,2.
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Fonte: Agência O Globo